André Arribas e a publicação independente como modo de vida

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“O que ia se tornar lixo, vira livro!” Integridade é a palavra que passa pelas cabeças do público diante da fala apaixonada de André Arribas (Pé de Letra – PE) sobre o movimento cartonero e a literatura como motor da sua própria vida. Sua editora, A Pé de Letra, é uma livraria sobre rodas. “Eu comecei porque queria me autopublicar. Eu escrevo poesia. Hoje, todas as minhas paixões estão unidas: bicicleta, paisagismo, habilidades manuais”, sorri.

Na tarde de 30 de outubro, André traçou um breve percurso histórico do movimento cartonero desde a sua criação na Argentina com a Eloisa Cartonera. Era 2003, em plena crise que elevou muito o preço do papel cartão. Daí a opção pelas capas em papelão revitalizado.

Da Argentina, o movimento contagiou muitos outros países, adaptando-se sempre às condições locais de acesso à matéria-prima e de técnicas dominadas pelos grupos editores: estêncil, serigrafia, pintura, xilogravura, sem restrição. O que não muda são os pilares desse movimento: economia solidária, comércio justo e sustentabilidade.

Em Pernambuco, já existem mais de 10 editoras cartoneras, do litoral ao Sertão. Para se fortalecerem, elas se uniram na Liga Cartonera, que participou da X Bienal Internacional do Livro do estado e causou surpresa ao ter um livro do seu catálogo como o segundo mais vendido. Adeus, do poeta Miró da Muribeca.

“Não estamos em guerra com as editoras tradicionais. É uma outra perspectiva. Somos um movimento literário, mas também um movimento filosófico. É um perfil de trabalho muito diferente. Trabalho colaborativo com catadores. O autor também acompanha todo o processo.”    

http://www.eloisacartonera.com.ar/

Foto: Raphael Malta Clasen