A reinvenção do livro

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O último debate do PUBLIQUE-SE foi denso. Denso de sentidos, de possibilidades e de repensares diversos: o livro vai acabar. A unanimidade por parte dos debatedores e dos espectadores-participantes é de que: Não. Para compor a “mesa” do sábado (31) à noite, estavam Fred Caju e Demetrius Galvão (Acrobata- Piauí). Fred trazendo sua experiência com o livro digital e Demetrius com as possibilidades materiais do livro.

Em uma frase, o poeta Demetrius sintetizou a discussão da noite. “A grande importância desse debate é o como fazer, o que usar, quais as linguagens.” E assim, permeiaram plurisemanticamente todas falas da noite.

Trabalhando com blog e publicações digitais desde 2006, Fred Caju contou um pouco sobre o transmutar as barreiras do impresso para essa nova linguagem. “No início a gente imitava o impresso, depois foi na tora. Começamos a não querer imitar e o método de criação, a diagramação e tudo foi mudando.”

Em suas pontuações, Caju também falou sobre a necessidade de monetização no ambiente digital. Já Demetrius, colocou seus experimentos como ponto de partida. “É preciso tirar o texto do lugar de conforto dele. A cápsula eu finalizei botando a mochila para vir pra cá”, compartilha.

Toda a conversa perpassou pela trajetória sensorial-sinestésica-sensitiva. Pegando esse gancho, Caju acrescentou: “Cada vez menos o livro é o principal cavalo da literatura. Penso num livro com aromas em suas folhas ou então um livro como coador de café e que fale sobre o café”.

Enveredando por essa multiplicidade de resignificações, da plateia-interativa, Bruna Rafaella refletiu sobre os livro-vivos de São José do Egito em sua fala. Desta maneira, a conversa-debate deixou as fronteiras entre o artesanal e o digital frouxas e permissivas. “Volta a ser artesanal porque o autor está fazendo mesmo sendo digital”, diz Demetrius.

Caju também ressalta a problemática da distribuição também no âmbito do digital. “Nessa esfera também temos a mesma dificuldade, apesar da divulgação e do marketing. Esse é um mercado com o donos”, pontuou.

Foto: Raphael Malta Clasen